segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Eu queria um amor ridículo, inconveniente, asfixiante e consumidor que não me desse espaço para pensar. Queria um amor que me fizesse berrar até a garganta sangrar. Que me fizesse estiletear o braço com seu nome. Um amor que me escutasse chamando seu nome de cidades à distância e acalmasse o caos do universo com um simples abraço. Um amor cujo beijo me desse frio na barriga e cujo corpo no meu me possuísse de tal forma que eu não conseguisse parar de chorar… Borrando a maquiagem e inchando meu rosto. E que mesmo nesse estado ele me achasse a mulher mais linda do mundo, a única. Que me fizesse virgem e intocada ao desabotoar meu sutiã e percorrer meu corpo com as mãos. Que me desse dor de cabeça de tanto pensar nele e que essa dor só parasse com um beijo. Alguém que morresse de ciúme de todos os meus amigos e me xingasse toda vez que ficasse inseguro. E que eu pudesse curar essa insegurança com um simples olhar ou demonstração de afeto. Um amor que me instigasse a tatuar seu nome por lugares espalhados do meu corpo, que pertenceria só a ele. Que me fizesse comprar seu perfume e usá-lo em todas as minhas roupas para cheirá-las e senti-lo quando ele não estivesse comigo. Que me fizesse escrever por A+B o porquê de ele ser a razão da minha vida. Que quando os lesse, se calasse e quando eu menos esperasse, falasse que me amava. Alguém que escolhesse a minha roupa, que penteasse meus cabelos e pintasse as unhas dos meus pés. Um amor que me fizesse cozinhar um jantar à luz de velas com vinho branco e existisse sobre uma trilha sonora sexy e sedutora. Alguém que eu pudesse contar todos os meus segredos mais íntimos e irreveláveis sem medo de julgamento. Que me fizesse escrever cartas quilométricas em rolos de papel higiênico. Com quem eu pudesse tomar banho de espuma, sair da banheira nua e assistir a filmes debaixo do cobertor no quarto refrigerado. E que o ar-condicionado nos deixasse doentes para podermos cuidar um do outro. Alguém a quem eu desse comida na boca, lambuzasse de sobremesa e depois lambesse o corpo inteiro. Alguém com quem eu tirasse milhares de fotos íntimas para poder fazer uma parede dos nossos momentos e decorá-la com o sangue do meu dedo. Com quem todos os dias fossem diferentes, que todos fossem como a primeira vez. Queria ter asas e dividi-las com ele e quando ele não estivesse por perto me fizesse cair. Queria um amor pelo qual pudesse morrer, para tornar lindo o ato de viver.
Eu não acreditava muito  nesses posts do tumblr como “Crianças de 10 anos terminando relacionamento, e eu ainda não sei a diferença de light e diet”. Até por que, eu nunca tinha visto uma criança de 10 anos namorando ou algo assim. Então, certo dia eu fui em uma padaria comprar doce, e a padaria por acaso ficava perto de uma escola de ensino fundamental I (1ª a 4ª série). Eu estava esperando na fila, enquanto via 3 menininhos que deviam estar na 3ª ou 4ª série, conversando sobre namorada, e resolvi prestar atenção. De repente, o celular de um deles, começou a tocar (funk, e bem alto). Aí ele olhou pro amigo dele, e disse: “Nossa vey, essa mina não para de encher o saco, já falei pra ela que não quero mais nada com ela, e ela continua enchendo o saco, e me ligando chorando. Quer saber? Vou desligar”. E desligou o celular. Eu comecei a rir, e lembrar de quando eu tinha a idade deles, de quando em vez de namorar, meus maiores pensamentos eram no que minha mãe traria pra mim quando chegasse em casa, ou que brinquedo eu levaria pra escola na sexta-feira. Sinceramente, a minha infância pode não ter sido a melhor do mundo, mas que ela foi bem melhor do que as crianças de hoje em dia estão tendo, eu tenho certeza que foi. Eu não queria crescer antes da hora como eles querem, eu soube aproveitar o máximo, para hoje em dia, em vez de me arrepender, me orgulhar por ter me divertido tanto. Essa época não volta mais, e como eu queria que as crianças de hoje em dia soubessem disso.

Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não tá cabendo só no meu”.